Índios decidem manter invasão a canteiro de obras em Belo Monte

FONTE: Folha de São Paulo

folha-2013050606/05/2013 – 17h11
KÁTIA BRASIL
DE MANAUS

Os índios que mantêm invadido o principal canteiro de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no sudoeste do Pará, anunciaram no início da tarde desta segunda-feira (6) que irão continuar a manifestação.

O canteiro Belo Monte, que tem 5.000 operários, está com as atividades paradas há cinco dias em razão do protesto. Os trabalhos continuam nos outros canteiros.

O índio Cândido Mundurucu afirmou que a obra vai ficar parada até que o governo federal envie o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) para dialogar com as lideranças, em Vitória do Xingu (945 km de Belém).

“A gente não vai sair da obra. Queremos falar com alguém que tome decisões, o Gilberto Carvalho”, afirmou. Procurada, a Secretaria-Geral não se manifestou.

A manifestação, segundo os organizadores, reúne cerca de 180 índios de oito etnias. Eles reivindicam que o governo federal regulamente o mecanismo de consulta prévia sobre obras que interfiram em terras indígenas, que paralise obras e estudos de hidrelétricas nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires, e suspenda o envio de tropas da Força Nacional de Segurança às comunidades.

Pela manhã havia expectativa de saída pacífica dos índios, depois que o juiz federal Sérgio Guedes, de Altamira, negou pedido de reintegração de posse feito pelas empresas responsáveis pela obra, a Norte Energia e o CCBM (Consórcio Construtor de Belo Monte).

Apontando risco de conflito entre índios e militares, o juiz determinou que a Funai (Fundação Nacional do Índio) inicie um processo pacífico da retirada dos índios na obra. A Funai não havia se manifestado sobre a decisão do juiz até a publicação desta reportagem.

Homens da Polícia Militar e da Força Nacional de Segurança estão nas imediações do canteiro. Representantes do movimento Xingu Vivo, da Igreja Católica e da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos apoiam o protesto dos índios no local.

Segundo o CCBM, dos 5.000 operários parados no canteiro, 4.000 continuam alojados dentro da obra. O consórcio não informou qual é o eventual prejuízo causado pela interrupção da obra e disse que mantém o controle das portarias do canteiro.

O deputado federal padre Tom (PT-RO), que visitou o protesto neste domingo (5) e preside a Frente Parlamentar dos Povos Indígenas da Câmara, apontou ausência do governo federal na região de Belo Monte.

“Constatei uma falta de diálogo e uma falta de representação do governo aqui. O que existe são funcionários da empresa e a presença ostensiva da Força Nacional de Segurança. Até para conseguir entrar sozinho no canteiro foi uma luta”, afirmou.

Na sexta-feira (3), a Justiça do Pará determinou, a pedido das empresas, a saída de não índios que acompanhavam o protesto no canteiro. Dois jornalistas –um brasileiro e um francês– e um ativista deixaram o local acompanhados por um oficial de Justiça.

A Norte Energia afirmou que os índios que protestam na obra não têm pauta de reivindicação relacionada à empresa. Por isso, afirma, ingressou com nova ação na Justiça Federal de Altamira solicitando a desocupação do canteiro. A empresa disse que tem atuado para manter a segurança no local e que representantes do governo federal estão na região.

Uma resposta para “Índios decidem manter invasão a canteiro de obras em Belo Monte

  1. STOP ruining our planet right now! The Rainforest is not possible to replace and is of utmost importance to planet Earth and our existence on many levels. Use Solar Power for energy!!

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