Presidência critica ocupação em Belo Monte; índios dizem que não vão sair Secretaria diz que lideranças da ocupação não são legítimas. Índios reclamam da postura do governo federal.

FONTE: G1 Pará

Ocupação de indígenas em canteiro de obras já está no 6º dia (Foto: Reprodução / TV Liberal 5.5.2013)07/05/2013 13h41 – Atualizado em 07/05/2013 13h56

A Secretaria-Geral da Presidência da República publicou uma nota em que repudia a permanência dos índios no canteiro da Usina Hidrelétrica Belo Monte, em Vitória do Xingu, sudoeste do Pará. Cerca de 150 manifestantes contrários a construção da usina ocupam o local desde quinta-feira (2), cobrando o direito constitucional de serem consultados antes da implantação do empreendimento e a retirada de tropas militares da região.

De acordo com a nota, divulgada na noite de segunda-feira (6), a reinvindicação dos índios “causa estranheza”. Ainda segundo a secretaria, “em sua relação com o governo federal essas pretensas lideranças Munduruku têm feito propostas contraditórias e se conduzido sem a honestidade necessária a qualquer negociação”.

O governo ainda acusa os índios de serem violentos, lembrando o sequestro de 9 funcionários de Teles Pires em 2013, alega que houve uma tentativa de diálogo através de reuniões nas aldeias do Pará que teria sido boicotada pelos índios e diz que as comunidades tradicionais da região estariam envolvidas na destruição da natureza em troca de propina de garimpeiros ilegais.

“Diversos indígenas praticam diretamente esse garimpo ilegal na Bacia do Rio Tapajós, possuindo balsas que valem em torno de R$ 1 milhão. Outros indígenas cobram pedágio dos garimpeiros, chegando a receber R$ 40 mil por mês para permitir a extração ilegal de ouro na região. A propalada ‘defesa da natureza’ e a aliança dessas autodenominadas lideranças Munduruku com entidades indigenistas e ambientalistas são suspeitas, pois o garimpo ilegal é uma das maiores agressões à natureza e às comunidades que vivem naquele território”, disse a nota.

Ainda de acordo com a secretaria, o governo federal está disposto a dialogar, desde que com “lideranças legítimas”, e que esta consulta só será realizada após a desocupação de Belo Monte.

Índios criticam governo
Em carta aberta divulgada na internet nesta terça-feira (7), os índios dizem que “o governo perdeu o juízo”. De acordo com os manifestantes, “o governo está completamente desesperado. Não sabe o que fazer com a gente”.

Os índios reclamam da militarização da região do Xingu, que impede a entrada de jornalistas no local da ocupação e, segundo os manifestantes, intimida quem participa do protesto. “É o governo que não quer cooperar com a lei. E faz manobra para tentar desqualificar nossa luta, inventando histórias para a imprensa”, disseram os ocupantes.

Ainda de acordo com os manifestantes, o grupo não tem previsão de deixar o sítio Belo Monte. “Nós estamos em seu canteiro e não iremos sair enquanto vocês não saírem das nossas aldeias”, afirmam.

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